+REVIEW - 13 Reasons Why: 2º Temporada

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Até onde você iria pra esconder sua culpa?


Lançada no último dia 18, chegou ao catálogo da Netflix a 2º temporada de uma das séries mais comentadas nos últimos anos: 13 Reasons Why. O segundo ano da produção exclusiva do serviço de streaming de filmes e séries se comprometeu a aprofundar os dramas vividos pelos personagens durante a primeira temporada e trazer também um desfecho para a trágica história de Hannah Baker. Contudo, muitos fãs questionaram a decisão da Netflix de dar uma segunda temporada para a série, mas será que valeu a pena? A história foi realmente bem contada? É o que você confere agora. 


"Fiquei pensando em suicídio. Na maioria das vezes, era apenas um pensamento passageiro. Eu queria morrer. Pensei nessas palavras muitas vezes. É algo difícil de dizer em voz alta. É ainda mais assustador quando você sente que pode estar falando sério." – Os 13 porquês.

Desde seu lançamento em março de 2017, a série vem causando polêmica e levantando diversos temas para o debate em escolas, universidades e em casa. Não é segredo para ninguém que a série trata de forma crua e precisa assuntos como depressão, violência, abuso de substâncias, cultura do estupro e suicídio. Durante o primeiro ano da série, somos apresentados a história da adolescente Hannah Baker que após sofrer diversos tipos de violência e bullying, comete suicídio, mas antes conta toda sua história em formas de fitas endereçadas a 13 pessoas que, de alguma forma, contribuíram para a decisão dela. A grande diferença entre as duas temporadas é que em seu segundo ano, a série muda seu foco, colocando os demais personagens como protagonistas da história. Olívia Baker, a mãe de Hannah após escutar as fitas deixadas pela filha, resolve abrir um processo judicial contra a Liberty High por negligência, uma vez que são apresentadas provas que demonstram os pensamentos suicidas de Hannah, como um poema escrito por ela que sugere o suicídio como a única forma de encontrar a paz. Mediante ao processo, em cada um dos depoimentos dados pelos personagens, somos apresentados ao "lado b" de toda a história, já que, durante a primeira temporada temos os fatos narrados apenas sob a perspectiva da Hannah. 

[AVISO: CONTÉM SPOILERS]



Eu devo dizer que após o anúncio da segunda temporada da série fiquei preocupado com o rumo que a mesma iria tomar, achava que seria algo vazio e sem sentido, feito apenas na tentativa de repetir o sucesso da primeira temporada, porém, a produção e direção foram extremamente competentes, apresentando um roteiro pertinente e coeso com a história já criada e gostei muito da forma como as particularidades de cada personagem foram exploradas durante os novos episódios. 

Em minha opinião, a segunda temporada de 13 Reasons gira em torno da culpa que cada um sente mediante os acontecimentos. Olivia, por exemplo, ao mesmo tempo que acredita que a culpa pelo suicídio da filha é de responsabilidade da escola, se vê entrando em um conflito interno perante aos depoimentos das testemunhas. Em diversos momentos da série ela sente como se não tivesse dado atenção suficiente para a filha, que já demonstrava sinais de depressão. Clay, por sua vez, se vê atormentado por visões de Hannah. Jessica precisa lidar com o fato que também foi estuprada por Bryce e lida com as consequências de tal ato. Alex também tenta cometer suicídio. Justin se transforma num sem teto viciado em drogas. Chloe luta para manter sua sexualidade em segredo. Será que Bryce se arrepende de seus atos? 

Apesar da narrativa arrastada (algo que afetou também a primeira temporada), todos os personagens ganharam destaque durante a série, onde, além de poderem contar em detalhes até então desconhecidos de sua relação com Hannah, precisam lidar com seus próprios fantasmas, o sentimento de culpa e como cada um deles luta para seguir em frente e superar a morte da jovem. A segunda temporada chega com a promessa de preencher lacunas deixadas durante o primeiro ano e o faz de maneira satisfatória, com um enredo maduro e novamente polêmico, levantando diversas discussões sobre o bullying, a violência e abuso de drogas pelos jovens, público alvo da série.

Falando do roteiro em si, além dos temas que já destacamos acima, precisamos falar sobre Devin Druid, que deu vida ao problemático Tyler. Durante a primeira temporada, o fotógrafo sofre bullyng de diversas maneiras, o que explica seu comportamento contraído e antissocial. Em uma das cenas que encerram o primeiro ano, vimos o personagem em posse de inúmeras armas, o que gerou grande expectativa por parte dos telespectadores sobre o rumo que o personagem iria tomar. 


É claro que não iriam deixar passar a discussão acerca do porte de armas. Todos os anos, os EUA é um dos países que mais sofrem com massacres causadas por armas de fogo, principalmente em escolas. O tema é abordado de maneira pertinente e sufocante em uma das cenas mais perturbadoras de toda a série. Após sofrer uma brutal agressão sexual por seus colegas de escola, Tyler resolve invadir o baile portando suas armas e pronto para por fim ao seu sofrimento. Acredito que chegaram a cogitar em exibir as cenas do  massacre, porém, diante de toda a repercussão que iria gerar, a cena foi removida em que Tyler é impedido por Clay em uma cena muito bem produzida com om diálogo fantástico. Mais uma vez inicia-se a discussão a respeito da responsabilidade da escola em situações como essa e a forma como os pais precisam lidar com seus filhos. Nesse ponto, vale a pena destacar que Alex (interpretado por Miles Heizer) no final da primeira temporada tenta cometer suicídio atirando em si próprio. A temporada encerra-se de maneira incerta e o final do personagem era uma incógnita para muitos, porém, descobrimos que Alex sobrevive, porém, com algumas sequelas. 

As atuações continuam satisfatórias e acima da média, uma surpresa mediante ao elenco tão jovem. Kate Walsh que dá vida a mãe das Hannah mais uma vez demonstra todo seu talento em uma das melhores personagens e atuações da série, mas os destaques da temporada para mim foram Alisha Boe trazendo uma Jessica traumatizada pelo estupro sofrido e Brandon Flynn, agora usuário de drogas. Quanto a atuação de Justin Prentice não preciso comentar nada, pois toda vez que Bryce aparece em alguma cena, é impossível não sentir repulsa e nojo. Se por um lado, os quatro foram donos de excelente atuações, o mesmo não podemos falar de Dyllan Minnette que interpreta o sem graça Clay. De todos os ganchos utilizados na série, a do personagem foi o mais fraco e bobo, na minha opinião. Achei por diversos momentos desnecessárias as situações vividas pelo personagem e, principalmente os chiliques completamente avulsos e deslocados do roteiro. Porém, um ponto muito positivo foram as aparições de Hannah para Clay, como resultado da culpa sentida pelo personagem.

13 Reasons Why é, sem dúvidas, um dos maiores sucessos da atualidade, seja de forma positiva ou negativa. Muitos criticam a série mediante as cenas explícitas, tidas como "apelativas". A cena de Tyler que comentamos acima tem causado discussões fervorosas na internet sobre o que pode ser ou não exibida em uma série voltada para o público jovem. Em minha opinião, a série sim possui falhas e furos, porém, procuro pensar em um sentido mais amplo e pego como análise os temas que a série abordam e o que podemos tirar como ensinamentos que devemos colocar em prática na nossa vida. Desde a sua primeira temporada temos exemplo sobre o desrespeito com a mulher, a forma como são tratadas apenas como objetos e, acima de tudo, a forma como a sociedade lida com a cultura do estupro, colocando a mulher como a verdadeira culpada após sofrerem algum tipo de violência. A série também explora a forma como hoje em dia somos rotulados e estereotipados. O uso de drogas, a violência física, usos de armas de fogo, a culpa. Como seguir adiante após um trauma e como aprender a lidar com a perda de uma pessoa próxima. É uma série difícil de ser assistida principalmente para quem se identifica de alguma forma com as situações abordadas, mas é inegável o papel da mesma nos dias de hoje, que abre espaço para discussões e debates de temas que precisamos falar sobre de maneira urgente.


✅ Pontos positivos:

  • Roteiro maduro e pertinente;
  • Preenchimento de pequenas lacunas deixadas durante a primeira temporada;
  • Levantamento de temas para discussões e debates;
  • Excelente atuação de maior parte do elenco;
  • Trilha sonora.



❎ Pontos negativos:

  • Desempenho regular de Clay e história desnecessária do personagem;
  • Desenvolvimento da história lento e arrastado em alguns pontos e episódios;
  • Para alguns telespectadores, algumas séries de violência são difíceis de serem assistidas.

Nota: 8.0



E aí, gostaram? Acharam ruim? Sentiram que faltou algo? Qualquer elogio, crítica e sugestão é sempre bem vindo! 

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