+REVIEW - Tábula Rasa

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Mais um thriller da Netflix pra fazer você perder o sono. 

Produções independentes tem conquistado cada vez mais lugar e prestígio entre as produções originais da nossa querida e tão amada Netflix. Hoje vim falar sobre uma série belga chamada Tábula Rasa. Eu estava vindo de uma temporada de decepções com a Netflix. Após emplacar La Casa De Papel, nenhuma outra série do catálogo conseguiu me prender. Dentre elas tentei assistir as também originais do serviço Glacé, Ghost Wars, Altered Carbon, Borderliner e Seven Seconds, porém, as mesmas apesar de boas histórias e atuações não conseguiram manter minha atenção. Desacreditado, comecei a assistir Tábula Rasa e fui pego totalmente de surpresa diante do alto nível da produção, história, roteiro e atuações. Vamos comentar um pouco sobre esses temas agora. Apesar da série não ter tido uma grande propaganda por parte da Netflix merece sua atenção e ampla divulgação, pois vale muito a pena. (Vocês sabem que nunca iríamos indicar algum ruim pra vocês, né?)

A série conta a história de Mia (interpretada por Veerle Baetens) uma mulher que sofre um grave acidente de carro e a partir daí tem sua memória prejudicada, afetando sua percepção sobre os eventos do passado. O quadro se agrava tanto que é  necessário mantê-la internada em uma clínica psiquiátrica para que os médicos possam ajudá-la. Porém, Mia se torna a peça chave no caso do desaparecimento de uma pessoa e vira alvo de uma investigação policial. Mas como ajudar se ela não se lembra de nada? É a partir daí que vem o nome da obra; em minhas pesquisas pela internet descobri que “Tabula Rasa” é derivado de uma expressão latina que significa “Papel em branco”,e o nome cai como uma luva uma vez que Mia precisa reconstruir todas as suas memórias para que assim ela possa limpar seu nome e resolver o mistério para seguir em frente.

A série é narrada a partir de dois momentos distintos, no passado e durante sua estadia na clínica. O foco principal da série é trazer um suspense psicológico em que o telespectador vai sendo guiado através dos caminhos sinuosos da mente de Mia em busca da verdade, onde há uma linha tênue entre a sanidade e a loucura. Tábula Rasa possui uma excelente adaptação e direção de arte em que muito se assemelha a outra produção estrangeira da Netflix, Dark. O clima é muito sombrio e fechado, diria até que claustrofóbico. Mia em diversos momentos sofre de alucinações ao tentar reconstruir suas memórias a partir do fatídico acidente de carro. Há também um toque de sobrenatural na série, uma vez que estranhos eventos ocorrem na casa de Mia quando somos levados pelos flashbacks, porém, não se engane: Em Tabula Rasa nada o que parece de fato é.

O ponto alto da série é trazer essa abordagem psicológica da mente e suas manifestações psíquicas. Em certos momentos é impossível distinguir a realidade dos devaneios e pesadelos de Mia, trazendo un clima de apreensão e surpresas constantes. Apesar da série possuir um ritmo lento, ela não se torna chata ou massante, uma vez que os eventos são desenvolvidos de maneira encadeada e concisa. A série em momento algum cai na mesmice ou busca uma solução previsível e chata, o que contribui de maneira positiva para o envolvimento dos telespectadores com a saga de Mia em busca da verdade.


Precisamos comentar também a respeito das atuações da série, muito competentes no que os personagens se propõem a apresentar para o público. Os mesmos são totalmente humanos com diversas falhas e desvios de personalidade e uma vez que não há mocinho/bandido, a série atinge um nível de profundidade muito grande enquanto aborda temas tão pesados.


A obra em si é curta, quase uma mini série, possui 9 episódios, em torno de 7 horas e tem cara daquelas séries que devemos fazer uma maratona para assistir. Os episódios te prendem e fazem você querer saber mais, ir atrás da verdade e de respostas enquanto Mia luta contra sua própria mente sobre seu passado para que enfim possa ter paz. Apesar dos poucos episódios, a série apresenta alto nível de produção e seu roteiro de desenvolve sem problemas. Não acredito em uma segunda temporada, pois a série se encerra de maneira excepcional, sem deixar nenhuma ponta solta ou histórias sem um desfeixo. Tabula Rasa é uma série incrível e extremamente criativa. Com um trama envolvente e nada óbvia, a série chega discreta ao catálogo da Netflix, mas em minha opinião se torna a melhor estreia da Netflix desde La Casa de Papel. Recomendo fortemente para os amantes de psicologia, contudo, a série é capaz de atingir os mais diversos públicos, com um roteiro de tirar o chapéu e atuações incríveis. Que tal mergulharmos a fundo na mente humana e seus mistérios?




Pontos positivos:

  • Série extremamente criativa é nada previsível
  • Roteiro envolvente em sua temática psíquica
  • Atuações incríveis
  • Boa adaptação de arte

Pontos negativos:
  • Poderiam se aprofundar mais no passado de Mia em mais episódios;
  • Apenas um evento da série não foi explicado e fiquei extremamente curioso.


Nota: 8.5

E aí, gostaram? Acharam que faltou algo? Qualquer elogio, críticas ou sugestão são bem vindos

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