+ADAPTAÇÕES - Dan Brown

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Uma análise pelo vasto universo criado por Dan Brown que invadiu as telonas.


Literatura e cinema são formas de arte que caminham muito próximas umas das outras. Todos os anos temos diversos livros adaptados para o cinema. Para muito leitores, um verdadeiro pesadelo é ter sua obra favorita transportada para as telonas, uma vez que os roteiros são modificados para atender as expectativas dos amantes da 7° arte. Para aqueles que não são muito chegados aos mundo dos livros, é a chance de conhecer melhor os clássicos e os novos best sellers. Quais são as diferenças entre cada um deles? As vantagens e desvantagens?

Para tal, iremos fazer uma série especial em nosso site, dividida em três etapas. A primeira que vai ao ar hoje, iremos discutir sobre as adptações de Dan Brown nos últimos anos. A segunda parte, que irá ao ar no próximo sábado, iremos abordar o Universo Fantástico nos cinemas. E a última, que irá ao ar no dia 12, será postada como forma de parceria no site As 365 Cores do Universo em que iremos falar sobre a literatura de terror e suspense no cinema.

Dan Brown é responsável por obras polêmicas e controversas, cheias de conspirações, reviravoltas e sociedades secretas. São ao todo 6 livros, contando já seu mais recente lançamento, “A Origem”. Dos mesmos, três receberam suas devidas adaptações e hoje iremos discutir exatamente sobre os polêmicos: “O Código da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “Inferno”. Vale citar que Dan conseguiu o feito único de colocar seus 4 livros simultaneamente na lista dos mais vendidos do The New York Times, e estima-se que O Código da Vinci, lançado em 2006 já alcança a incrível marca de mais de 80 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo.

O Código da Vinci - 2004 - 2006: O início da empreitada.




Muitos pensam que esse é o primeiro trabalho do autor, mas na verdade é seu quarto livro. (Inclusive, Anjos e Demônios foi lançado antes, apesar de ter ganhado sua adaptação anos depois). Dan Brown sempre foi um autor com vendas expressivas, porém, com o lançamento do filme de O Código da Vinci, Brown ganhou destaque mundial ao redor do mundo, conquistando fama e prestígio, sendo eleito como um dos melhores autores do século. Aqui chegamos ao nosso primeiro ponto: Adaptações são feitas pois além de apresentarem um relato visual da história, ajudam a alavancar as vendas do livro. Por esse motivo, diversas editoras optam por vender seus títulos para produtoras de cinema. Em contrapartida ficamos com a eterna discussão: Livros ou filmes?

O LIVRO:

Data de Lançamento: 18 de março de 2003. Lançado no Brasil e 2004.
Número de páginas: 540
Editora: Sextante
Avaliação Skoob: 4.1 / 5.0

A história narra um inteligente professor de simbologia que é chamado no meio da noite pela polícia francesa para investigar e ajudar na tradução de estranhos símbolos encontrados em uma das luxuosas galerias do Museu do Louvre, em Paris, onde seu renomado curador Jacques Saunière é encontrado morto, aparentemente assassinado. O livro é repleto de alegorias bíblicas, e símbolos religiosos enquanto Lagdon precisa descobrir segredos que remontam à época de Jesus Cristo e sua descendência real, auxiliado por Sophie Neveu, neta de Jacques. O livro na época gerou imensa polêmica ao questionar a divindade de Jesus, uma vez que o livro afirma que, fruto da relação com Maria Madalena, gerou-se uma filha que inicia a linhagem real. O livro também retrata Sociedades como a Opus Dei (criada pela Igreja Católica para difundir os ideias católicos ao redor do mundo) e o Priorado de Sião com seus ilustres membros como Isaac Newton, Botticelli, Leonardo da Vinci e entre outros. A narrativa se desdobra entre a busca por toda a verdade por trás do assassinato de Jacques e uma caçada histórica para desvendar segredos e mistérios do Santo Graal. Durante o livro, diversas obras de artes famosas são usadas como pistas para a resolução do mistério, como os quadro mais famosos de Da Vinci, A Monalisa e a Santa Ceia. Apesar de utilizar temas com uma grande bagagem história e de conhecimentos, Brown é bem didático em situar o leitor diante do cenário do livro, sem demorar em explicações desnecessárias ou correr o risco de ser superficial. A obra apreseta capítulos curtos que facilitam a leitura e intisgam a imaginação do leitor com teorias e possíveis explicações e apresenta um bom encerramento, trazendo um livro coeso e coerente, com início, meio e fim, sem pontas soltas ou furos no roteiro.  

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A Santa Ceia que representa umas das cenas mais polêmicas do livro e do filme.


O FILME:

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Data de lançamento: 19 de Maio de 2006
Duração: 149 minutos
Direção: Ron Roward
Produtora: Columbia Pictures | Imagine Entertainment
Avaliação Rotten Tomatoes: 4.8 / 10

Foi divulgado no início de 2005 que o livro receberia sua adaptação para as telonas e que ninguém mais que Tom Hanks daria vida ao professor Robert Langdon. Os direitos do livro foram adquiridos pelo singelo valor de 6 milhões de dólares. Quando assisti ao filme pela primeira vez não tinha conhecimento do livro e, apesar da longa duração e algumas cenas arrastadas e sem emoção, saí da sala de cinema em êxtase e a cabeça explodindo com as mais diversas teorias abordadas no filme. Não demorei a pesquisar e a encontrar o livro que originou a obra. Ao lê-lo, notei que o livro e o filme seguiam por caminhos distintos, mas isso é justificável, e chegamos ao nosso segundo ponto interessante a ser discutido: Filmes baseados em livros são ADAPTAÇÕES dos acontecimentos. Em um livro, o autor pode se estender por 900 páginas para que seu leitor seja capaz de compreender perfeitamente o que ele precisa passar. Isso não acontece nos filmes. Geralmente temos até 2 horas de filme para que o enredo contenha início, meio e fim, e perante obras grandes e com um conteúdo tão rico e cheio de detalhes, obviamente os diretores precisam optar por apresentar uma versão mais curta da história, mas que contenha a coesão e coerência da obra. Infelizmente a maioria dos diretores acabam se esquecendo disso e como resultado final temos filmes que são completamente opostos dos seus livros, mas iremos discutir isso em detalhes na próxima review. O filme foi considerado ruim pela crítica especializada e fãs que sentiram falta da emoção impressa no livro. 

Ao meu ver, as principais diferenças entre o livro e o filme são:


1- O tempo dos eventos: No livro, os acontecimentos são desenvolvidos com muito mais espaçamento entre os mesmos. O relacionamento dos personagens, o estudo das pistas, os diálogos acontecem com muito mais calma que no filme, que é uma sucessão de cena após cena com eventos chaves para o filme.

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Jacques Sauniere é encontrado morto no Louvre.
2- Conhecimento prévio: Para assistir o filme é recomendado que você saiba de eventos do passado para que faça sentido para você, mas não é essencial, uma vez que todos os diálogos são construídos para situar o telespectador. Ao ler o livro, tive a impressão que alguns fatos, como As Cruzadas e a linhagem real, por exemplo, ficaram implícitas, talvez para fazer com que o leitor pesquise por fora. No filme esses conhecimentos são inseridos em formas de flashbacks muito bem produzidos, diga-se de passagem.

3- Final: O final de ambos são completamente diferentes e escapam por caminhos distintos, mas como disse acima, sabemos que algumas cenas descritas em livros não causariam o mesmo impacto ao ser transposta para as telonas. Vale então apelar para Hollywood e inserir as cenas de impactos que prendem o telespectador na cadeira. Para muitos, a exclusão e/ou modificação de algumas cenas foi o ponto chave para explicar a razão pelo qual o filme não foi capaz de traduzir a mensagem que o livro quis passar. 

Com tais modificações, o enredo se tornou mais fraco e ao contário do livro, apresenta alguns furos de roteiro, porém, o longa compensa com alguns elementos como:

1: Boa ambientação: O longa reproduz com maestria as diversas galerias, museus, igrejas milenares e ruas pelas quais a Cidade Luz se tornou conhecida em uma ambientação sombria e de apressenção. O filme é todo muito escuro e pouco colorido. 
2: Trilha Sonora: As musicas executadas durante o filme caíram como uma luva e só contribuíram positivamente para a imersão na história.
3: Elenco: O destaque da obra vai para Tom Hanks e Audrey Tautou, que interpretaram respectivamente Professor Landon e Sophie Neveu, além do inspetor de polícia Bezu Fache (Jean Reno) e o professor Leigh Teabing (Ian McKellen) que tem a difícil tarefa de auxiliar Langdon em sua jornada em busca da verdade. 



NOTAS:

LIVRO: 9,0
FILME: 7,0



Anjos e Demônios - 2009 : A dobradinha de Langdon nas telonas




Com o frenesi causado após o lançamento de O Código da Vinci, as vendas dos livros foram impulsionadas e não demorou a sair na internet notícias que a primeira aventura de Robert Langdon lançada em 2000 também receberia sua versão para as telonas. A produção do filme foi cercada de mistérios e pouco se sabia ao respeito do roteiro. Tom Hanks novamente retorna a pele de Langdon, que dessa vez viaja para Roma para impedir que uma milenar seita chamada Iluminatti executasse seu plano de vingança milenar contra a Igreja Católica. 

O LIVRO:

Data de Lançamento: 15 de maio de 2000.
Número de páginas: 464
Editora: Sextante
Avaliação Skoob: 4.3 / 5.0

Mais uma vez em uma trama repleta de suspense e reviravoltas, Robert é convocado a visitar a CERN, que é um laboratório de pesquisas científicas localizado na Suíça para investigar a morte de um de seus mais renomados colaboradores chamado Leonardo Vetra que é encontrado morto com uma marca Illuminati gravada em seu peito. Ao mesmo tempo, a morte suspeita do Papa em exercício dá início a um novo conclave para a escolha do novo líder supremo da instituição. O livro possui um ritmo frenético em que os eventos passam todos no intervalo de um único dia. É realmente incrível ver a facilidade com que Langdon escreve sobre temáticas tão complexas e polêmicas, envolvendo dados científicos e organizações que de fato existiram e ainda fazem parte das nossas vidas, como a propria CERN, responsável por inúmeros avanços do campo da ciência. Com o desdobrar da história, descobrimos que uma das pequisas realizadas era a criação da anti matéria, que são partículas altamente instáveis e capazes de liberar uma energia semelhante a da bomba atômica. A  obra, como de costume, apresenta um conflito direto com a Igreja Católica e a Ciência. Assim como James Bond, em cada nova aventura, Langdon recebe ajuda de uma personagem em específico, nesse caso é auxiliado por Vitoria Vetra, filha adotiva de Leonardo, que também é cientista e trabalha com seu pai no projeto secreto da Anti Matéria. Com a morte do cientista, é descoberto também que a antiparticula foi roubada e as suspeitas que a substância será utilizada como vingança pelos Iluminatti se confirmam após os 4 cardeais favoritos a assumirem o cargo são sequestrados, sendo cada um deles executados num intervalo de 1 hora, até o grande momento de purificação, onde a cidade do Vaticano seria totalmente aniquilida. A anti matéria está armazenada em um dispositivo controlado emérticamente que impede a explosão da mesma. O equipamento possui um gerador próprio, porém, a vida últil da bateria é de apenas 24 horas e se encontra escondido em alguma parte do Vaticano. Os olhos do mundo estão voltados para a cidade na expectativa de conhecerem o novo Papa, porém, a votação está paralisada, pois os padres foram alvos de um sequestro. Langdon precisa correr contra o tempo para liberar os favoritos para que a votação ocorra e localizar e neutralizar a bomba  capaz de destruir tudo em um raio de 80 KM. O livro possui uma excelente premissa e história de tirar o fôlego, alguns capítulos são realmente angustiantes e a revelação do vilão é chocante, com um final repleto de ação e emoção para coroar mais um excelente Thriller policial. 

O ambigrama Illuminati: Símbolo que pode ser lido de ambos os lados que apresentam a mesma mensagem.


O FILME:

Data de lançamento: 15 de Maio de 2009
Duração: 146 minutos
Direção: Ron Roward
Produtora: Columbia Pictures | Imagine Entertainment
Avaliação Rotten Tomatoes: 5.1 / 10

Como dito anteriormente, a produção do filme foi cercada de mistérios e polêmicas. Diversas cenas acabaram sendo proibidas pela Igreja que não liberou o acesso às igrejas seculares de Roma para a gravação do filme. O longa foi adiado algumas vezes e os produtores precisaram fazer cortes no roteiro para driblar tais limitações. O resultado final foi um filme com um enredo fraco em que os fatos não possuíam uma ordem cronológica ou explicação, elas simplesmente aconteciam. Diversos personagens foram cortados e/ou modificados, algumas cenas TOTALMENTE editadas e mais uma vez, o final foi alterado, talvez para evitar ainda mais polêmicas ao redor do filme. Mas nem tudo é ponto negativo: O diretor é extremamente profissional e nos proporcionou as melhores imagens de Roma, um filme com uma bela fotografia e edição de imagens, mas a coesão entre os fatos transforma Anjos e Demônios em um filme fraco e sem grandes momentos.  

Suas principais mudanças perante o livro:

  • No livro, apenas Vitoria e Leonardo sabiam da existência da Anti Matéria. No filme, aparentemente era uma pesquisa em que todos os membros da CERN trabalhavam em conjunto.
  • O personagem de Leonardo foi modificado para Silvano Bentivoglio e não é pai de Vitoria. Isso acontece com quase todos os personagens que sofreram modificações em seus nomes e suas aparências, como é o caso do vilão, no livro descrito como moreno e no filme é representado por um ator branco e louro. 
  • Os personagens de Robert e Vitoria no livro apresentam um envolvimento romântico. No filme, nada disso é abordado. 



NOTAS:

LIVRO: 8,5
FILME: 6,5



Inferno - 2013-2016: Três é demais?





Em 2009, Langdon lançou seu livro intitulado O Símbolo Perdido, que mergulha no universo da maçonaria e nos mistérios que cercam a fundação e crescimento da capital dos EUA, Washington. A essa altura, as vendas eram fluidas e abundantes e logo os boatos de uma adaptação aos cinemas foram confirmados, porém, sofreu um forte processo de censura por parte do governo americano e o mesmo diretor dos outros dois filmes resolveu engavetar o projeto, pois haviam modificado tanto o roteiro para furar a censura que o filme não se assemelhava em nada ao projeto original do livro. 

Eis que em 2014, Dan lança “Inferno”, seu sexto livro e o mais coerente, em minha opinião. Utilizando A Divina Comédia de Dante Alighieri para a criação de uma história espetacular. 



O LIVRO:

Data de Lançamento: 10 de julho de 2013.
Número de páginas: 448
Editora: Arqueiro
Avaliação Skoob: 4.3 / 5.0


Voltamos a Itália com Robert Langdon despertando em uma cama de hospital, com um ferimento na cabeça e sem memória, tendo visões apocalípticas sobre o fim do mundo. Rapidamente Lagdon descobre que está em Florença e está sendo caçado por uma assassina determina a dar fim a sua vida. Langdon recebe ajuda de brilhante médica Sienna Brooks e ambos mergulham em uma história densa, repleta de simbologias sobre A Divina Comédia  e outras obras medievais para desvendar o mistério sobre o que aconteceu com sua memória e salvar o mundo de um desastre eminente. Uma das características mais fortes na escrita de Brown é justamente mesclar passado e futuro. Apesar de seus livros possuírem famosas lendas e diversos segredos antigos, a obra é inserida em contextos científicos e modernos trazendo não só uma história clássica, mas colocando em foco temas a serem discutidos pela sociedade. No caso de Inferno, o foco é a super população e a rapidez com que os recursos naturais estão se esgotando.
Novamente temos um conflito entre a Ciência e Religião. São abordados diversos temas como a epidemia de doenças, a escassez de recursos e como a OMS (Organização Mundial de Saúde) está lidando com o crescimento populacional, cada vez mais expressivo em um mundo já sem espaço e repleto de desigualdades. Somos apresentados ao brilhante Bertrand Zobrist, cientista que se vê obrigado a apresentar uma solução para o problema que a OMS finge não existir. O livro trabalha também com conceitos como o transumanismo, que em uma explicação básica, é um ramo da ciência que acredita que os seres humanos precisam utilizar os conhecimentos científicos adquirido ao longo dos séculos para melhorar e modificar as capacidades intelectuais, motoras, físicas e psicológicas humanas. Em outras palavras, podemos utilizar o conhecimento adquirido e modificar o nosso código genético para a criação de uma super raça humana.
Bertrand acredita fortemente no conceito de transumanismo, em contra partida, diante do crescimento populacional, ele enxerga que a sociedade não terá tempo suficiente para o desenvolvimento desses conhecimentos em um mundo prestes a entrar em colapso. É de conhecimento público e histórico que os grandes avanços que a humanidade desenvolveu ao longo dos séculos deu-se após uma grande dizimação da população, como foi o caso da Peste Negra, uma das pandemias mais conhecidas do mundo, que dizimou mais de 200 milhões de pessoas na EuroÁsia no século XIV. Após a Peste Negra ser controlada, a região viveu uma intensa época de prosperidade nos campos da literatura, arte, ciência, matemática, entre outros.
O cientista então, descrente que a OMS irá tomar uma atitude para a resolução de tal problema para que a sociedade tenha tempo de desenvolver o transumanismo, cria uma nova e poderosa praga, chamada Inferno, que seria capaz de dar o tempo necessário para que a sociedade possa estudar e desenvolver o transumanismo e de curar o mundo dos gravíssimos problemas de poluição e escassez de recursos. Cabe a Langdon então percorrer todas as pistas deixadas por Zobrist na tentativa de entender e localizar Inferno, para que a ameaça seja neutralizada. Segundo Bertrant, é preciso percorrer o Inferno para alcançar o paraíso.

O Mapa do Inferno pintado por Botticelli, uma das obras utilizadas por Betrand como uma das pistas. 

O FILME:

Data de lançamento: 12 de Outubro de 2016
Duração: 126 minutos
Direção: Ron Roward
Produtora: Imagine Entertainment | Skylark Productions
Avaliação Rotten Tomatoes: 5.1 / 10

De todos os três filmes lançados, esse foi, de longe, a minha maior decepção. Até o momento Inferno é a obra de Dan que contém uma crítica social forte e uma verdadeira motivação por trás dos atos, não apenas uma sociedade secreta que ressurge querendo dominar o mundo. O filme criou grande expectativa em mim, contudo o roteiro produzido foi pífio e mesmo nos bons momentos não foi possível captar toda a beleza e sagacidade do livro.

Para começar, novamente os personsagens sofreram diversas modificações para a versão do filme. Sienna, por exemplo, loira no livro, foi interpretada por uma atriz morena. Com a proximidade do lançamento do filme, o livro foi relançado com o poster do filme (que você confere acima). Me parece no mínimo estranho a personagem na capa ser morena e, ao começar a leitura, me deparar com uma personagem descrita loira. Mas tudo bem, vamos seguir em frente. 

Falando dos personsagens em si, todos eles representam uma versão mais fraca deles mesmos. Não possuem carisma e as relações construídas entre os mesmos soa artificial e forçada. Nesse ponto vale destacar a atriz escolhida para viver a Sienna. Felicity Jones simplesmente não convence no papel e sua personalidade foi tão alterada para o filme que nos rendeu uma das personagens mais sem sal e perdidas da história do cinema.

Apesar do livro possuir todo o lado científico e apresentar um debate interessante sobre o crescimento da população e as consequências para o futuro do planeta, o filme escolhe seguir para o já conhecido caminho de mocinho/vilão. E o que conversamos acima sobre o transumanismo foi totalmente ignorado e excluído do roteiro final e mesmo que o filme possuísse vilões bem definidos, as motivações para os atos são fracas e não apresentam sentido. 

Assim como nos outros dois filmes, o final foi totalmente reformulado pra apresentar coerência com o roteiro, distorcendo totalmente as personalidades das personagens para a adaptação.  


NOTAS:

LIVRO: 9,0
FILME: 5,5


LIVRO OU FILME?

Primeiramente, precisamos entender que se tratam de duas obras completamente diferentes, lançadas em plataformas diferentes para públicos alvos diferentes. Precisamos levar em conta que o autor do livro não é o diretor do filme e são pessoas diferentes, que possuem ideias diferentes e uma outra visão do mundo. Como discutimos, certas cenas precisam ser modificadas para a melhor adaptação as telonas, mas até que ponto os diretores devem possuir direito para alterar a história? Em alguns casos, o filme se torna complementarmente irreconhecível de sua história de origem, o que é o principal motivo pelo qual os leitores torcem o nariz ao saber de uma nova adaptação.

Se eu precisar escolher optarei pelos livros, mas por ser realmente apaixonado por literatura. Gosto de histórias elaboradas, preciso dessa riqueza de detalhes que só os livros são capazes de proporcionar. Em contrapartida, não estou tirando os méritos dos filmes, que apresentam grandes produções e um nível técnico elevado. Alguns filmes conseguem ser ainda melhores que os livros. A questão é saber separar e dividir ambas as obras e reconhecer seus pontos positivos e negativos. Os filmes mencionados acima podem até ser bons fora do contexto criado nos livros, mas infelizmente, como adaptações cinematográficas, não funcionam.


Espero que tenham gostado dessa review e fiquem ligados que semana que vem iremos discutir a respeito das adaptações fantásticas de Universos como Jogos Vorazes e Percy Jackson. Até lá!

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