+REVIEW - Hellblade: Senua's Sacrifice

11:00 0
As batalhas mais difíceis são travadas na mente.




Lançado em agosto de 2017 para PS4 e PC, Hellblade: Senua's Sacrifice é um jogo psicológico. Eu havia lido em alguns lugares que o game trazia aspectos de doenças mentais em um universo mitólogico, mas por mais que soubesse desses detalhes, nada me preparou para a experiência que tive
ao jogar. É completamente diferente de tudo que já joguei na vida, e bato palmas para a produtora que resolveu apostar o tudo ou nada em um jogo ousado, com temas tão sombrios e poucos explorados pela sociedade.


Dillion... she can't help but think of him. A tender guiding flame in a world so black. The longer it burned, the more she convinced herself that there was nothing beyond its reach. How little separates us from what we fear.


A HISTÓRIA

Senua é uma guerreira celta em que vê seu lar ser invadido por vikings. Nessa invasão, seu amado é morto e como conseqüência desse ataque, Senua desenvolve sérios problemas psíquicos e mentais. A história narra todo o sacrifício da guerreira para atravessar o mundo até o Helheim – segundo a mitologia nórdica, o inferno – que é governado por Hela para ter a alma de seu amor de volta. Mas essa é só a ponta do Iceberg. Não irei entrar muito em detalhes a respeito da história para não estragar a experiência para aqueles que ainda pretendem jogar.

Como dito, após a invasão, Senua se vê atormentada por vozes que só ela é capaz de ouvir, sofre de alucinações e o jogo nos confunde a ponto de não sabermos se é realidade ou apenas um truque da mente de Senua.

Ainda falando sobre a construção da história, o jogo é excelente para os fãs de mitologia – assim como eu. Durante alguns pontos do jogo, é possível encontrar uma espécie de totem, em que são narrados alguns eventos chaves sobre a mitologia nórdica, assim como descrições mais detalhadas sobre as criaturas e desafios que Senua irá encontrar em seu caminho em busca da liberdade. 



GAMEPLAY


Em questão de Gameplay, é um jogo “morno”, no sentido de explorar sempre as mesmas saídas e não inovar muito conforme o jogo se desenvolve. Os puzzles são praticamente os mesmos durante todo o jogo, o que torna um pouco cansativo e maçante, mas são muito bem elaborados e integrados com o cenário e a história. Em determinados momentos, precisamos encontrar representações de runas nórdicas no cenário que servem como selos para portas trancadas. Ao encontrar todos, as portas se abrem e podemos avançar na história. É um recurso bem interessante e eleva a dificuldade do jogo, pois algumas dessas runas são bem difíceis de serem encontradas, sendo necessário combinar vários elementos do cenário e um correto posicionamento da câmera para formá-la, mas basicamente esses puzzles são encontrados durante todo o jogo e quase beiram o óbvio. Confesso que depois que passei da metade do jogo já estava cansado, o que torna a gameplay um pouco mais arrastada, mas não é nada que de fato prejudique o andamento da história.



O modo de combate do jogo é eficiente e fluído. A câmera me confundia um pouco quando Senua enfrentava vários inimigos ao mesmo tempo, mas os movimentos são muito bonitos e precisos e, durante a batalha, você precisa se guiar no que as vozes na cabeça dela te dizem para facilitar o combate. Particularmente, uma saída muito interessante. Nos combates contra os chefões principais, somos obrigados a pensar em estratégias diferentes de abordagem, pois cada um reage de uma maneira diferente. 


Falando dos gráficos em si, a produtora mandou muito bem na construção dos cenários que são muito bonitos nas diversas representações de praias, montanhas e florestas nórdicas. As cores não são usadas com exagero e a quantidade de detalhes torna a experiência ainda mais bonita, apesar de não ser um jogo em que você explore os cenários. Outros cenários são bem sombrios e assustadores, principalmente os que representam o mundo inferior por onde Senua precisa passar. A iluminação é outro ponto chave na história que é utilizada na medida certa. O clima de apreensão é constante, você nunca sabe que tipo de criatura ela irá encontrar ao virar a esquina ou ao entrar em uma porta. 

It's funny. We all want to see behind the veil, don't we? But once we do... we mostly just close our eyes again and pretend what we saw was ever really there.


Outro recurso interessante utilizado que contribui para a imersão, é que o jogo não possui nenhum menu, guia ou dicas na tela. Ele não possui mapas ou qualquer outro indicador de direção ou objetivo. Para isso, novamente as vozes entram em ação e precisamos nos guiar através delas para avançar na história. A trilha sonora com exceção de alguns momentos é quase inaudível, deixando os próprios sons do cenário como o som das ondas batendo nas rochas ou o vento balançando as árvores como som principal. Tais recursos aliados com as vozes tornam a experiência ainda mais imersiva e o sentimento que você sente ao jogar é de solidão e desolação, assim como Senua se sente. 


When darkness speaks, it changes everything, turning home into a foreign land and loved ones into strangers. Exile makes sense when you realise that you were never really home in the first place.


Um dos grandes focos do jogo antes de seu lançamento era a “morte definitiva” de Senua. Ela possui uma infecção em seu braço e, segundo o jogo, a cada vez que você morre, seja em combate ou durante a história, a infecção se alastra um pouco mais e não podemos deixar que a podridão chegue em sua cabeça ou todo o progresso estaria perdido. Particularmente, eu não testei pra contar pra vocês se é verdade ou não, não iria arriscar começar tudo de novo pra saber, mas posso dizer que é extremamente agonizante ver a infecção se alastrando e você saber que o fim está cada vez mais próximo. 


PRODUÇÃO

O jogo utiliza um recurso muito comum hoje em dia que é o de captura de movimentos em tempo real e isso faz toda a diferença ao jogar Hellblade. A atriz que interpretou Senua foi a alemã Melina Juergens que realizou uma performance maravilhosa e angustiante. As expressões faciais de Senua são incríveis e extremamente reais, podemos sentir todo o desespero, todo o medo e sofrimento da personagem que foi captado de maneira incrível.

Com tudo dito anteriormente, para completar a experiência, o jogo também utiliza uma tecnologia chamada de Áudio 3D e, para isso, o uso de headsets é indispensável, pois a projeção do som é replicada diretamente em seus ouvidos e, a sensação que você tem é que as vozes realmente estão em sua cabeça.



CONCLUSÃO


Hellbalde em uma definição geral é uma manifestação psicótica da realidade. É um jogo tenso e literal e sufocante. Em alguns momentos eu me senti extremamente angustiado e nervoso. A história é muito bem contada e desenvolvida, é densa e emocionante. O jogo se desenvolve num ritmo inacreditável e o final apresenta uma saída muito bonita e de livre interpretação. Hellblade é uma experiência totalmente nova e que em minha opinião deu muito certo ao falar de dois temas tão distintos e que de alguma forma, funcionaram tão bem juntos. Se você é fã de uma boa história, um bom enredo, esse é o jogo certo pra você.  

learnt the hard way, to not be afraid of death, Senua. Because a life without loss is one without love. Turn your back on death and you only see the shadow that it casts. The longer you hide from it, the longer the shadow grows, until all you can see is darkness. When our time comes, we must look death in the eye and embrace it as a friend. Only then can we let go fear, and emerge from our darkness.



Pontos positivos:

  • ·         Gráficos bonitos e cenários bem desenvolvidos;
  • ·         História densa e rica em detalhes;
  • ·         Captura de movimentos em tempo real e performance brilhante de Melina


Pontos negativos:
  • ·         Puzzles extremamente repetidos;



Nota: 8.5/10

E aí, gostaram? Acharam ruim? Sentiram que faltou algo? Qualquer elogio, crítica e sugestão é sempre bem vinda!

0 Comentários para "+REVIEW - Hellblade: Senua's Sacrifice"