+REVIEW - Em águas sombrias

11:00 0
Alguns segredos são capazes de arrastar você para o fundo.
   Alguns segredos são capazes de arrastar você para o fundo.

Olá, pessoal! Ainda continuando a proposta de trazer um conteúdo mais diversificado para o site, estou trazendo hoje para vocês uma resenha literária. A participação de vocês é muito importante para que possamos saber quais quadros devemos manter no site, então espero que vocês curtam tão quanto eu gostei de escrever esse texo. 



O livro que irei comentar hoje é “Em águas sombrias”, da escritora americana Paula Hawkins, mais conhecida por seu trabalho anterior “A garota no trem.”


Assim como o best seller de 2012, "Em águas sombrias" nos coloca no papel de investigar uma série de possíveis suicídios que ocorrem na cidade inglesa de Beckford. Como a característica de um thriller psicológico, o livro possui uma narrativa fluida e sem dificuldades, os capítulos não são muito extensos e não existem pontos soltos entre os mesmos - todos se conectam para que o desfecho da história seja apresentado.
A história é narrada de duas formas, em 1° e 3° pessoa, assim como em dois tempos, narrando eventos no presente e reconstituições de situações passadas. Uma característica muito interessante é que todo capítulo é narrado a partir de um personagem que apresenta seu ponto de vista e suas impressões acerca dos acontecimentos. Em um primeiro momento o fato do livro possuir narradores distintos para seus capítulos me deixou um pouco perdido diante da história; os mesmos parecem desconexos e independentes e a falta de um protagonista narrando a história me confundiu, mas conforme você se acostuma com a proposta do livro, as peças vão se encaixando e, em minha opinião, ao ler um thriller de suspense esse tipo de narrativa é extremamente favorável, pois agrega um clima de mistério e o fato dos capítulos serem rápidos ditam um ritmo acelerado e incansável da história - você mal tem tempo para respirar.

Falando da história em si, como havia dito, se passa em uma cidade do sul da Inglaterra em que o personagem principal é o rio que corta a cidade em que, em suas águas turvas, todos os personagens se conectam de alguma forma. Suas águas serviram para o cenário de diversos suicídios ao longo de sua história, e o livro se desenvolve a partir da investigação dos dois ultimos suicidios mais recentes. Aqui está um trecho da sinopse que encontrei pela internet.


Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás. Mas Jules está com medo. Com um medo visceral. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos…


Falando dos personagens em si, foram todos muito bem escritos e pensados. Um ponto a destacar é que se aproximam muito de seres humanos normais, fugindo dos já idealizados mocinho e bandido. Em minha opinião, é muito mais interessante mergulhar em uma história onde todos os personagens possuem sentimentos como os nossos do que os que possuem a clara linha que determina sua indole. Todos possuem pontos positivos e negativos, são passíveis aos erros e lidam com suas consequências e emoções. O drama familiar real apresentado na história aproxima muito seus leitores para a realidade em que vivemos e é instigante ler sobre como o ser humano é capaz de criar teias de mentira para conseguir suportar a própria realidade.

O livro coloca em palta de maneira brilhante temas como pedofilia, abuso sexual, depressão, suicídio e a relação da mulher na sociedade. O poço dos afogamentos esconde histórias terríveis e nos coloca no papel de todas as vidas que já foram perdidas ali. Sentimos toda a culpa e todo o desespero ao pensar que apenas a morte é capaz de aliviar os fardos em nossos ombros. Nos coloca na pele das mulheres e tudo o que sofrem por apenas ser mulher e receber toda essa enchente de cobranças de uma sociedade doente. Sentimos raiva, medo, vergonha e o luto por perder algúem amado. São sentimentos muitos reais e verdadeiros, puros e primordiais, incapazes de serem controlados.

Em minha opinião, Paula repete novamente o sucesso do aclamado “A garota no trem” (caso queiram, posso fazer uma resenha do livro e do filme também). Ela escreve com fluidez é objetividade, não desperdiça o tempo do leitor em questões frívolas e de pouca importância. Os direitos do livro foram adquiridos e em breve teremos a adaptação nas telonas.

É um livro cru, visceral e cruel. Eu não consegui desgrudar os olhos das páginas, pois como havia dito acima, o clima de suspense está presente a todo momento no livro. A cada capítulo, uma nova revelação é dada, um personagem apresenta um segredo e é impossível parar de ler. Minha única observação é acerca do final em que, se você estava ligado em alguns detalhes durante o desenvolvimento da história, o final se torna previsível, mas alguns outros pontos são totalmente surpreendentes.


Pontos positivos:
  • Leitura rápida e objetiva ;
  • Personagens bem construídos e humanizados;
  • O ritmo de suspense está presente em todas as páginas. 


Pontos negativos:
  • Capítulos demasiadamente curtos e algumas vezes  quebram o ritmo da narrativa diante do ponto de vista do personagem que está narrando;
  •  Pouco aprofundamento nos eventos passados da cidade, gostaria de saber mais a respeito das outras vítimas do Poço dos Afogamentos.

Por mais que você tente esconder e afogar seus segredos, uma hora eles virão à tona.


Nota: 8.5/10



E aí, gostaram? Acharam ruim? Sentiram que faltou algo? Qualquer elogio, crítica e sugestão é sempre bem vinda!

0 Comentários para "+REVIEW - Em águas sombrias "