+REVIEW - Caixa de Pássaros

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Você tem medo do escuro?



Continuando com a proposta de trazer algumas reviews literárias pra vocês, hoje irei falar sobre um livro de suspense chamado "Caixa de Pássaros" do estreante Josh Malerman, lançado em 2014 pela editora Intrínseca. Como já devem ter percebido, sou obcecado por obras de suspense e terror - são meus gêneros favoritos. Após algumas pesquisas rápidas na internet esse livro foi indicado para mim e não exitei em comprá-lo e, posso adiantar para vocês, a obra é fantástica!

Josh nos leva em um thriller psicológico para explorar a essência dos nossos medos em uma história rápida, envolvente e apavorante. O livro é relativamente curto, se não me engano possuem apenas 264 páginas e eu o li durante uma única tarde. 


                  “Ele espera. E quanto mais espera, mais assustado fica. Como se o silêncio ficasse mais alto.”


Em um primeiro momento somos apresentados a uma narrativa em que uma "epidemia" de suicídios acontecem na cidade logo após as pessoas terem feito contato visual com uma criatura desconhecida, desencadeando um surto psicótico e incontrolável que culmina com a morte daqueles que os olharam. Ninguém é imune, ninguém sabe o que são essas criaturas e o que faz a pessoa retirar sua própria vida. O livro se passa cinco anos após o início do surto e conta a história de Malorie e seus dois filhos que vivem em uma casa abandonada próxima ao rio que corta a cidade. Durante os capítulos também somos levados para o passado e alguns eventos do início de tudo são apresentados ao leitor, como o suicídio da irmã de Malorie. Em todo capítulo o suspense acerca do que são essas criaturas é mantido. 

Malorie sonha fugir para um local seguro e levar seus dois filhos, mas para isso, ela precisa atravessar os 32 km do rio para que, supostamente cheguem a um abrigo onde eles possam finalmente abrir os olhos. Mas como eles podem conseguir atravessar o rio vendados? Uma decisão errada e todos morrem. Eles precisam se guiar apenas por sua audição, com as criaturas em seu percalço. Basta apenas uma rápida olhada para o mundo lá de fora e tudo está perdido. O que você faria? 

“Criaturas, pensa Malorie. Que palavra boba.
Malorie nunca gostou dessa palavra. De alguma forma parece errada. Acha que as coisas que a assombram há mais de quatro anos não são criaturas. Uma lesma de jardim é uma criatura. Um porco-espinho também. Mas o que se esgueirava por trás das janelas cobertas e a manteve vendada não é do tipo que um exterminador de pestes poderia matar.
Bárbaro também não é bom. Um bárbaro é imprudente. Assim como um brutamontes….
…Demônio.
Diabo.
Vampira. Talvez tudo isso….
…Capeta é bondoso demais. Selvagem, humano demais…
…Será que sabem o que fazem? Será que querem fazer o que fazem?…
…Se não sabem o que fazem, não podem ser vilões…
…São monstros, pensa Malorie. Mas ela sabe que são mais do que isso. São o Infinito.”
O roteiro do livro se assemelha muito a "Ensaio Sobre a Cegueira" de José Saramago e até mesmo "The Walking Dead". Já me explico: Em ambas as obras, não são dados aos leitores explicações para o que de fato causou tais eventos; Não sabemos onde e como o surto de zumbis começou e nem porque as pessoas ficavam repentinamente cegas. Em minha opinião, esse tipo de obra tem o interesse em demonstrar o desdobramento da história a partir de um evento particular do que propriamente explicar o que aconteceu. O mesmo acontece com Caixa de Pássaros.


O clima do livro é extremamente claustrofóbico. Você sente a tensão e o desespero em cada página. Nos sentimentos assustados e vulneráveis. Somos de fato colocado na pele dos que estão vivendo na casa, temendo o olhar das criaturas. Também somos apresentados a alguns outros personagens, mas o foco se mantém sempre em Malorie e em toda sua jornada para a liberdade. Em breve teremos sua adaptação para as telas das TV's, uma vez que a Netlfix anunciou que irá produzir um filme - com Sandra Bullock no papel de Malorie. Nem preciso dizer o quanto estou ansioso.


Um dos pontos mais polêmicos do livro é a respeito do final; assim como na obra de Saramago apresenta um final aberto o que leva ao leitor apresentar sua própria versão a respeito dos fatos. A escrita do livro é extremamente fácil e rápida e alinhado com o clima de apreensão é impossível largar e, uma vez chegado ao final, você quer saber mais, mais e mais. Extremamente recomendado para os amantes do gênero. 


Pontos positivos:

  • Narrativa fácil e intensa;
  • Clima de suspense presente em todos os capítulos;
Pontos negativos:
  • Durante os capítulos, senti falta do aprofundamento de alguns personagens secundários, mas nada que comprometa a história.
  • O fato do final ser subjetivo e aberto podem desagradar as pessoas; entretanto, se torna um tema interessante de debate. 

“Antigamente, ela poderia ter olhado para um mundo duas vezes mais iluminado e nem teria precisado semicerrar os olhos. Agora, a beleza machuca.”



Nota: 9.0/10

E aí, gostaram? Acharam ruim? Sentiram que faltou algo? Qualquer elogio, crítica e sugestão é sempre bem vinda!




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